Capacitismo: o preconceito com as pessoas com deficiência

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Entenda o que é o  capacitismo e como ele está internalizado na sociedade, prejudicando as pessoas com deficiência
Capacitismo é a exclusão, como dos peões verdes que excluem o vermelho, na imagem

Qual a primeira imagem que vêm a sua mente quando pensa em uma pessoa com deficiência?

Essa parece uma pergunta simples, mas pode revelar o quanto os preconceitos estão internalizados em alguém.

Por muito tempo, nascer com uma deficiência, ou adquiri-las ao longo da vida, era interpretado pela sociedade como um castigo de Deus.

Em seu livro de não-ficção, Holocausto Brasileiro, Daniela Arbex registrou a triste e recente história do Colônia, hospital para doenças psiquiátricas localizado no estado de Minas Gerais.

Muitos dos pacientes internados no hospital não tinham problemas psiquiátricos. Diversas pessoas com deficiência foram abandonadas naquele lugar, por famílias que tinham vergonha, e acima de tudo, muitos preconceitos.

Essa história real dos anos 80 parece fantasiosa, mas revela o quanto é tardia a visão correta acerca das pessoas com deficiência.

Ainda hoje, rótulos e termos pejorativos são amplamente utilizados em rodas de conversas, principalmente para se referir a uma pessoa com deficiência.

Não há dúvidas de que o preconceito é tão cultural como arcaico. 

Sabemos que pode acontecer de uma pessoa não ter conhecimento a respeito da realidade de pessoas com deficiência. Mas se a visão distorcida permanece mesmo após sua visão ser aberta, claramente veremos uma pessoa que discrimina propositalmente.

Então, o que é o capacitismo?
charge onde uma mulher pergunta a um homem, ao lado de uma moça cadeirante de rodas "o nome dela? "tem quantos anos?" ela consegue?
e o homem responde a atitude de capacitismo com "pergunta pra ela"

De maneira direta, capacitismo é toda e qualquer ação discriminatória e preconceituosa, que classifica as pessoas com deficiência como:

-inaptas a realizar tarefas, 

-incapazes de tomar decisões, 

-incapazes de terem autonomia para cuidar de suas próprias vidas,

-limitadas.

O termo vem do inglês “ableism”, e é pautado na ideia construída socialmente de um corpo perfeito, padrão, “normal” e da subestimação das habilidades das pessoas com deficiência.

Muitas vezes, somos capacitistas até mesmo para elogiar alguém com deficiência, e isso acontece de maneira inconsciente.

Por exemplo, ao supervalorizar uma pessoa só pelo fato dela ter deficiência, ou por realizar tarefas cotidianas e simples.

Quando o capacitismo é explícito, na intenção de excluir, invisibilizar ou depreciar uma pessoa com deficiência, o ato configura crime discriminatório.

A Lei Brasileira de Inclusão, sobre a qual já falamos aqui no blog, prevê pena de 1 a 3 anos de reclusão para esses casos.

No ambiente de trabalho o capacitismo também está presente, latente ou não. 

Por conta do capacitismo, muitas pessoas com deficiência não tem oportunidades para crescer dentro das empresas, nem mesmo assumir cargos de liderança.

Para mudar essa realidade, é necessário conscientizar as pessoas a respeito do que realmente significa ter uma deficiência.

A ideia a respeito deste termo precisa mudar. Não é somente uma pessoa que possui uma deficiência, os locais em que ela vive são deficientes de acessibilidade e de oportunidades iguais.

Além disso, quanto mais cedo entendermos que uma pessoa com deficiência não é apenas sua deficiência, mas toda sua história, características, personalidade e sonhos, mais rapidamente veremos uma sociedade menos preconceituosa.

O capacitismo só termina com a verdadeira inclusão das pessoas com deficiência e quando pudermos enxergar as pessoas além de suas deficiências.

Afinal não são as pessoas que são deficientes, mas sim os meios e a cultura capacitista.

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